Atualizando os bookmarks

29 agosto, 2008

Não esqueçam – o Gonzo agora bloga no After The Gold Rush (total carreira solo).

Um tempo atrás eu tava conversando com o Gonzo sobre a possibilidade do Warren Ellis (o roteirista de HQ britânico, e não o músico australiano) ser algo que será chamado de “intelectual do século XXI”.

Não é cronologicamente falando, mas sim pelo jeito de pensar do sujeito.

Por mais que esperneiem e reclamem, é necessário aceitar que o mundo mudou, garotada. A era industrial acabou e entramos numa nova era, que será chamada de Era Virtual ou Era Cibernética ou Era Adriânica ou algo assim. Vivemos na sequência de um daqueles risquinhos que dividem a história humana naquelas linhas do tempo de representação de nossa evolução.

Para o bem ou para o mal, mudanças desse tipo influenciam totalmente a forma das pessoas pensarem. Te garanto que o pessoal das corporações de ofício e afins chiavam bastante apontando para aqueles jovens industriais e suas idéias muito loucas.

Um dos pontos radicais dessa mudança é o mundo de informações disponíveis. Nunca existiu uma época em que tudo que se pensa e faz no mundo é tão facilmente conhecido e estudado.

O resultado disso acaba sendo uma facilidade maior de se perder na superfície. O link, mau usado, não te aprofunda no assunto mas sim te joga de assunto em assunto, te dando uma vasta gama de informações, mas com todas tão rasas quanto uma piada do Ary Toledo. O pensamento linear, como conhecemos, pode estar agora caminhando para a extinção, para ser substituído por algo levemente diferente, com uma maior mixagem de raciocínios e citações.

A diversidade de assuntos e informações induz à falta de foco, então a substituta da profundidade temática talvez venha a nascer da associação feroz de assuntos e idéias.

Não dá pra gente dizer agora o que será efetivamente o intelectual de hoje (afinal, a melhor forma de saber o que é feito ou dito de mais relevante hoje em dia é esperar o futuro, pois contar os frutos de cada semente é o que, em última instância, define a importância de cada coisa…) mas, em nosso debate cervejístico (entre eu e Gonzo, não entre eu, Warren Ellis e Ary Toledo – embora eu deva admitir que daria meu braço esquerdo para sentar numa mesa de bar dessas…), um dos pontos da defesa  de Warren para o cargo era:

O intelectual que refletir essa mudança de pensamento deverá ter a capacidade de processar as informações tão rápido quanto surgem. A dificuldade vai ser essa: extrair a profundidade de todo o ruído disponível, rearranjando tudo em peças sintéticas para a elaboração de novas teorias.

O Ellis faz isso, variando nos seus textos entre histórias absurdas, análises cabeçudíssimas de teorias físicas, pedofilia no Second Life e textos sobre os caras que tatuaram de azul a parte branca dos olhos deles como manifesto de Body Modification.

Não tão tecnológico quanto o tio Warren, mas possuidor da mesma metralhadora citadora, é o Douglas Kim.

Olha. Não precisa concordar com o que o cara fala. Ou o que ele faz link.

O ponto é o que ele cita, o que ele amarra e como ele faz.

(e também o fato do cara escrever pra caralho. isso ajuda MUITO)

Parem de querer ler apenas aquilo que diz o que você quer ouvir. Leia algo apenas para pensar qual sua opinião a respeito.

O único problema é que o Kim tem um a certa tendência a matar blogs e apagar posts. Por exemplo, o blog dele hoje só tem dois posts.

Bom, e um deles  é um agrupamento de citações de um blog da Veja (é, a revista da Abril). Não, não leio a revista. Mas o Kim achou isso. Copio do blog dele para guardar o registro e tentar mostrar pra vocês qual o tipo de garimpo de informações que o homem faz. É bom dizer que não é só isso que ele faz. Também surgem pequenos textos narrativos, poesias, frases. Foda.

Com vocês: mr. DK

16.12.07

didatismo

Alguns não lêem o Reinaldo Azevedo por questão ideológica. Tudo bem. Por isso vou colar aqui três posts didáticos sobre a premiação da Biblioteca Nacional e sobre a Bolsa de Criação Literária da Funarte.

I

“O Diário Oficial da União de ontem (13/12) publica o resultado dos prêmios literários da Biblioteca Nacional e da bolsa de incentivo à criação literária da Funarte.

No caso da Biblioteca Nacional, copio o que está lá:

2.Prêmio Sérgio Buarque de Holanda
Categoria: Ensaio Social
Comissão Julgadora:
Bárbara Freitag
sabel Lustosa
Maria Angélica Madeira
Vencedora: Maria Francisca Pinheiro Coelho, com a obra José Genoino – escolhas políticas, publicada pela Editora Centauro.

Sim, vocês entenderam direito. O livro que canta as glórias de um dos chefes do mensalão, um dos 40 indiciados pelo STF, irmão do patrão do cuecão de ouro, foi premiado pela Biblioteca Nacional. Mas esperem. Não é tudo. No caso da Funarte, entre os contemplados com uma bolsa de R$ 30 mil, está:

meiaoito – 68 motivos de 68, de Luiz Arthur Toríbio (nº de inscrição 237), de Brasília/DF (nota 205)

O que isso tem de especial? Duas coisas:

– Luiz Arthur Toríbio foi chefe da Assessoria de Comunicação Social (DAS 101.4) do Ministério da Cultura, a que está subordinada a Funarte, até 24 de abril do ano passado.

– A Funarte é de uma rapidez impressionante: as inscrições para bolsa terminaram no dia 10 de dezembro. No dia 12, já se tinha o resultado (para ver o Diário Oficial, clique aqui).”

II

“Biblioteca Nacional: ação entre amigas e parceiras
Ai escreve o leitor sobre o prêmio da Biblioteca Nacional conferido a Maria Francisca Pinheiro Coelho, autora do livro sobre José Genoino (ver notas abaixo):

Olha que beleza, Reinaldo, a socióloga submarxista Maria Francisca é co-autora de um livro sobre a Bárbara Freitag (Itinerários de Bárbara Freitag, UnB, 2005), que agora premia a Maria Francisca. O “ensaio” da Maria Francisca no livro sobre a Bárbara Freitag chama-se Diálogo com o Marxismo. Antes, em conjunto com a própria Bárbara Freitag, ela expeliu Marx morreu: viva Marx! (Papirus, 1993).

É isso aí. Trata-se de uma autêntica ação entre amigas e parceiras, mediada por uma instituição do estado. Ainda bem que o tema, José Genoino, confere especial dignidade a essa intensa e viva relação intelectual, não é mesmo?”

III

“Premiação em que a jurada premia a colega com quem escreve livro pode ser tudo, menos séria. (…) Concorria na mesma categoria, por exemplo, D. Pedro II – Ser ou Não Ser, de José Murilo de Carvalho. Eu duvido que a tal Francisca escreva melhor do que Carvalho: eu duvido que Genoino seja mais interessante do que D. Pedro II. Eu duvido que haja mais pesquisa histórica no livro premiado do que no preterido.”
postado por dk—

Bonito, muito bonito.

E apenas para fazer um último comentário. Sim, admito que é meio pedante o Gonzo e eu ficarmos numa mesa de bar discutindo, de forma tão rasa quanto nesse post que fiz agora, questões como intelectualidade, tempos modernos e afins. Estamos tentando melhorar, procurando assuntos mais dignos.

Eu por exemplo já deixei anotado, para nossa próxima cerveja, essa história que achei num link do Warren Ellis sobre o cara que pagou para lutar com um chimpanzé.

Canções para Bobby

8 novembro, 2007

Falando ainda da Chan ( a gente nunca cansa, sorry), eu ia colocar aqui o link pra baixar a MP3 de “Song to Bobby” (faixa inédita, vai pro disco novo), mas a Matador tirou a música do ar durante a tarde. Uma pena, porque eu nem cheguei a baixar.

Mãs, seguinte: Cat Power participa da trilha sonora do filme “I´m Not There“, cinebiografia malucona que o Todd Haynes fez do Bob Dylan (o “Bobby” da canção nova da gata), com uma versão lindinha e sussurada para “Stuck Inside The Mobile With The Memphis Blues Again” – que você pode ouvir, em streaming, no MySpace da película. Aproveita e ouve também a versão do Jeff Tweedy (do Wilco) para “Simple Twist Of Fate” (com uns versos bem diferentes…) – que tá no nível da versão que o Hélio apresentou no show do Vanguart terça passada.

Over The Rainbow

1 outubro, 2007

Tipo assim: seria o In Rainbows o The Wall do Radiohead?

(, sei que não é, mas puta lance grandioso, hein?)

O Caco sempre ahazza!

Tenho uma teoria da conspiração sobre esse movimento feito de burguês para burguês, de burguês que nunca foi beneficiado pelo Lula contra os burgueses que foram beneficiados pelo Lula, de burguês que votou no “lulinha paz de amor” contra os burgueses que votaram no Serra e perderam a eleição etc. etc.

Mas não vou falar disso hoje, não. Se quiser saber mais sobre o anti-movimento, clica aqui: http://www.tocansadinho.blogspot.com/ (nem sei colocar aqueles links bonitinhos!). Tô me concentrando pro show tudo de bom do César Menotti & Fabiano, hoje à noite, no Espaço das Américas.

Antes, rola uma Orquestra Imperial no Citibank Hall. Mas isso de fato não supera a ansiedade que eu tô pra ver os gordinhos no palco.

 http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/41326.shtml

é, eles continuam usando a bíblia como desculpa para mascarar o preconceito. 

o mundo está simplesmente lotado de imbecis. e tenho dito.

Pára tudo! Cientistas confirmam a existência de Pokemons na Amazônia!!!

pokemon.jpg
após entrar na página, clique em “veja mais fotos”, abaixo do primeiro parágrafo de texto, para conhecer outros pokemons do mundo real)

Do jeito que sou altamente viciável em videogame e também no ato de começar coleções sem sentido, devo dizer que por sorte escapei do vício pokemon (ou quase, como atesta a pequena coleção de psyducks que reside em cima de minha geladeira…), mas que esses bichos que encontraram são muito massa, ah, isso são…

E já que falamos de monstros, mesmo que sejam POcKEt MONsters, porquê não aproveitar o gancho para mostrar essa ilustração fodida do Jim Rugg? Vejam abaixo: monstro gigante invade Tokyo. Quem poderá nos salvar?

hellokittygodzilla.jpg
Exatamente! Godzilla veio nos salvar desse monstro horrendo! ARRANCA A CABEÇA DESSA TROLHA DE GATO!!!

No livejournal do Rugg tem várias ilustrações, muita coisa mais pro super-herói e outras mais aleatórias.

E falando de ilustradores e desenhos aleatórios e bonecos e afins… Jim Woodring? Alguém conhece? É um Ilustrador fodão que já fez capa pro Bill Frisell e publicou HQs esquisitas na Heavy Metal. Calma, nenhuma das dele é daquelas com mulheres vikings peitudas peladas perdidas no espaço…

Então, o traço do cara é legal, uns bichos e plantas esquisitos desenhados com traços fofinhos. E agora apareceu no flickr umas fotos de um evento qualquer em que aparecem algumas versões 3D (no sentido de objeto do mundo real, não 3D do tipo virtual…) de ilustrações dele. Não sei o quanto é por causa da onda de toy design, mas nesse caso tô nem aí, porque o traço do cara é bacanudo-tchananan e curti a estatueta!

woodring.jpg

Para visitar o álbum do flickr com essa palestra ou sei lá o quê, que é onde saiu originalmente a foto acima e aparecem mais outras estatuetas, clique aqui. E para visitar o site do Jim Woodring, com galeria e um montão de imagem, clique aqui.

Aliás, vi que no site dele tem uma loja. E que tem estatuetas desse tipo em pré-venda. Não, não entrei pra ver. Basicamente, não entrei porque sou um consumista, maníaco por coleções EEEE falido, o que é uma combinação muito perigosa. Podem entrar vocês, imagino que seja foda.

Aliás, já que falei de vícios, coleções, monstros e ilustrações…

Acredito que quem me conhece sabe que sou meio anti-megacorp. Não compreendo muito aquelas pessoas que veneram Microsoft ou Zoomp ou qualquer marca vinda da grande indústria.

Mas… tenho que admitir… Sou uma puta do Lucky Strike. É, o cigarro. É, eu sei que é patético colecionar coisas da marca de cigarro que está corroendo seu pulmão mas, o que eu posso fazer se acho foda quando descubro que existem coisas como isso aqui?

keith_haring_lucky_strike.jpg

Um Keith Haring com o logo do Lucky Strike? Uôu, EU QUERO!!!

Ok, sei que não vou ter um legítimo Haring na minha parede, então vou me contentar em caçar as novas cigarreiras que estarão à venda nas lojas AMPM, parecidas com essa aqui:

cigarreira.jpg

Ah, eu quero… Ok, repito e readmito o que eu disse antes… Misturar as monstruosas megacorps com o vício de colecionar é uma merda… Mas eu vou comprar duas, mesmo assim! YEY!