nalaje de casa e outras alturas de urubu ir

24 junho, 2007

Tenho muitas histórias na laje da minha casa em Monte Alto (pra quem não sabe, uma cidade sem lei, no nordeste do Estado de São Paulo). Sexo, drogas e rock’n’roll já passaram por ali sem deixar marcas físicas.

Não sei exatamente quando foi a primeira vez que eu subi na casa. Como fui criada no sítio, tinha algumas características exatas dos nossos ancestrais símios, como trepar em árvore pra pegar fruta, por exemplo.

A lembrança mais remota que eu tenho da laje, é do Natal de 1995. Subi no telhado de casa, fui pra casa do vizinho, e de outro vizinho, e assim sucessivamente até explorar todo quarteirão. Eu tinha 12 anos. No dia seguinte, um dos vizinhos ligou pra minha mãe e disse que eu tinha quebrado umas telhas da casa dele e que ela tinha de pagar. Minha mçae surtou. Com o vizinho, claro.

Essa fase passou. Nem tinha tanta graça assim espiar os quintais alheios. Quando entrei no colégio, passei a andar exclusivamente com homens. Minha turma era formada por onze meninos e eu _uma pessoa de cabelo comprido e lambido, calças oversize, tênis fudidos e meia dúzia de discos debaixo do braço. A grande alegria dos meninos era subir na laje pra fumar cigarro de cravo. Um deles gostava de tomar vinho e escrever poesia (olha, a gente tinha 14, 15 anos, dá um desconto, vai?), outro gostava de fumar maconha, e eu gostava de me esconder do mundo ali. Era o meu esconderijo perfeito, onde eu podia chorar sem ser incomodada, ou fumar em paz, já que meu pai não sabia que eu curtia um Marlborão 12 volts (lembra? os Marlboros vermelhos tinha 1,2 de nicotina e um amigo os apelidou de “12 vorti” em detrimento dos light, que tinha 0,6 de nicotina, logo, apelidados de “6 vorti”).

Uma das vezes mais engraçadas que eu usei a laje foi pra cheirar lança-perfume com o amigo que gostava de vinho e poesia. Compramos um tubo e fomos pra laje cheirar. Eu diria que tinha titica de galinha no lugar de juízo nessa época, mas não consigo ser tão moralista assim. Algumas baforadas depois, eu desmaie, lógico. Mas não foi um simples desmaio: eu cai de boca na caixa d’água. Quebrei dente, rasguei a boca, foi a festa do caqui macho. Lembro que acordei sentindo minha boca cheia de cimento, porque, sim, eu roí uma parte da caixa com a queda. Era seis da tarde. Só minha avó estava em casa _e ela sim ficou desesperada de verdade. Uma hora depois minha mãe chegou. Olhou pra mim desconfiada, com misto de pena e ironia e perguntou “o que você aprontou?”. Eu respondi que tinha ido fumar um cigarro na laje, tinha tropeçado num cano e caído de boca na caixa d’água. Quase explodindo de ironia ela replica “sei…cheirando lança, claro!”. Eu assustei na hora “como você sabe?”. Já gargalhando, ela disse “ora, porque é coisa de idiota cair de boca na caixa d’água. Você tinha que estar drogada mesmo”.

Depois desse dia, minha laje ficou meio estigmatizada, coitada. Peguei um pouco de medo de subir e cair de novo. Mas, antes disso, teve uma vez que usamos a laje para espiar um amigo dando um fora em uma mina no meu quarto. Como a gente era meio duentiiii e ria a cada tirada que ele dava nela, fomos flagrados pela garota, que naquele momento tava tão humilhada que poderia escorrer e ir embora pelo ralo da varanda como um cuspe.

Minha casa tinha gente o tempo inteiro. Como todo mundo fumava, a laje funcionava de cinzeiro pra maioria dos freqüentadores. Até aí, OK. No terceiro colegial, viemos para São Paulo ver a mostra Brasil 500 anos. Eu amei, surtei mil vezes e voltamos pra Monte Alto quando a Oca fechou. Cheguei em casa por volta da uma da manhã. Minha mãe não me disse absolutamente nada e foi comigo até a varanda fumar um cigarro…cara, quando eu olhei pro quintal, tinha tipo uns dois milhões de bitucas cobrindo todo o chão. e mais umas 60 caixinhas de cigarro vazias…foi aí que minha mãe teve que explicar o que tinha acontecido. Durante a tarde, enquanto estava em SP, caiu uma chuva torrencial na cidade. As bitucas e caixas entupiram os canais de escoamento da laje, fazendo com que a água penetrasse nas paredes e inundasse toda aquela parte DE DENTRO da minha casa. Não sei como a minha mãe não me matou. Bom, naquele dia, finalmente, meu pai descobriu que eu fumava. É, não havia como esconder.

Tem outras histórias, milhares, engraçadas, tristes, idiotas, felizes. A laje de casa foi cenário de muita coisa que aconteceu entre 1998 e 2000. Agora tô aqui, de volta na laje. Na laje do Adri, na laje da internê, na laje de quem me convidar. Com a diferença que eu não uso mais calças oversize. Mas ainda tenho meia dúzia de discos debaixo do braço.😉

11 Responses to “nalaje de casa e outras alturas de urubu ir”

  1. Adriano Says:

    Ahahahahh!
    Aê moça, bem-vinda!
    Mas não tem laje minha não. Lajes são de todo mundo, apenas alguns é que ficam responsáveis de passar a vassoura depois!

    bjs
    a

  2. K. Says:

    eee! obrigada!
    “Laje para todos!”
    (é tipo uma proposta de governo, não?)

  3. Adriano Says:

    Opa… Nada como a boa e velha política churrasqueira!
    Pão e picanha para o povo!

  4. Lu Farias Says:

    Oi, Katia!

    Eu ia falar que não tive laje na minha infância, mas aí lembrei que o terraço bem em cima do nosso apê por acaso era a laje do prédio. Segurança zero, mal tinha grade, o pessoal subia lá ou para tomar sol ou para esticar roupa nos varais, já a gente usava pra jogar vôlei (ou melhor, o meu irmão e nossos amigos, porque eu sempre fui péssima), e volta e meia a bola voava lá do terração e ia parar no meio da Nove de Julho, HAHAHAHA. Nessa laje, tinha a laje da laje, que era uma parte coberta, mas eu sempre fui frouxa para subir lá, ao contrário do Adri que sempre foi mais doido que eu, e que podia aproveitar para um gancho em um próximo post, HAHAHAHAHA!!!

    Beijocas, Lu;

  5. K. Says:

    Oi, Lu!
    É, agora eu quero ver o Adriano botar a história na roda! haha.
    Laje para todos!

  6. Lu Farias Says:

    É isso aí, vamos cobraaaaaaaaar!!!! :-)))

  7. Adriano Says:

    ôu… Vamo pará de fofoqueiragem aí?
    AbSURdo!

  8. K. Says:

    absurdo nada. exigimos uma atitude transparte da reportagem!

  9. Adriano Says:

    Ó!
    Primeiro que não sei o que é “transparte”! HAH!

    Segundo, e muito mais sério…
    Não ouve minha irmã… Minhas histórias de laje são chatas (veergooonha, verrrgooonha…)

  10. palugan Says:

    HAHAHAHA
    welcome, sweetie.


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