mp3, gravadoras e nuestra “imprensa”

21 junho, 2007

Saiu no Terra hoje que a IFPI – uma associação internacional de gravadoras, que tem desde Warner e EMI até a Rhino – lançou um texto contra a pirataria, intitulado “Music piracy – ten inconvenient truths”.

Bom, a maioria dessas dez são velhas conhecidas, aquele papo de prejudicar artistas, copyright e que o Bin Laden ganha dinheiro pirateando Zezé de Camargo e Luciano (ok, eu extrapolei nessa última, mas que falam de terroristas tirarem uns trocos queimando cd-r, eles falam…).

Não vou nem entrar nessas discussões de copyright e afins, por preguiça e também porque depois da notícia que o Sonic Youth está lançando uma coletânea pelo selo da Starbucks (é, aquela do café, leia aqui) eu percebi que definitivamente num tô entendendo mais nada.

Agora, lendo o texto da matéria, um dos itens me chamou a atenção:

5. Os prejuízos provocados pela pirataria impedem as gravadoras de investirem em artistas de maior gabarito e as obrigam a apoiar apenas os ultrapopulares, normalmente de baixa qualidade artística. “

Admito que após ler essa frase, uma emocionada lágrima solitária escorreu por minha pele peluda…

Percebam o fato histórico: uma associação internacional de gravadoras assumindo que boa parte do que vende é podre! Imaginem que qualquer texto atacando a indústria musical poderia citar essa frase para validação de seus argumentos (“afinal, como admite a própria IFPI, os artistas ultra-populares normalmente são de baixa qualidade e reticênciasreticênciasreticências).

Daí, enquanto secava a lágrima antes que alguém aqui no trabalho me chamasse de florzinha, fui atrás da fonte, pra confirmar tudo que estava escrito lá. Entrei no site da tal IFPI e encontro o seguinte texto original:

“5. Reduced revenues for record companies mean less money available to take a risk on ‘underground’ artists and more inclination to invest in “bankers” like American Idol stars.”

Bom, também por preguiça, não vou falar muito sobre o fato do cara que redigiu a matéria ter mudado “um pouco” a tradução. Só digo que acho estranho alguém escrever “A lista com as dez ‘verdades’ é a que segue:” e em seguida colocar um julgamento de valor que não existia no texto original, como se fizesse parte da informação que ele estava passando e sem fazer um adendo como o que eu fiz acima, sobre o Bin Laden, nesse mero blog. É verdade que, seguindo por aí, também teríamos que discutir se algo assim pode ser considerado uma matéria, ou se o Magnet e o Terra podem ser considerados imprensa, mas vamos voltar à IFPI.

Embora não tão histórica, não deixa de ser divertido ler sobre uma associação de gravadoras ameaçando transformar nosso mundo num lugar onde só teremos acesso a discos de cantores berralhões (o que acontece que os ganhadores desses programas parecem todos fugitivos do curso “Whitney Houston ensina a cantar”?). Mas aparentemente, nem essa ameaça procede, já que bandas mais independentes podem ser lançadas por um café (a seguir: novo disco de Marilyn Manson no McLanche Feliz).

No fim dá um imbróglio gigantesco. Mega-gravadoras e corporações do café expresso lançando música e pessoas escrevendo em sites (teoricamente) noticiosos com a parcialidade de um blog.

Sei lá… Queria colocar uma conclusão aqui mas… Como eu disse, tô com preguiça e sem entender nada…

 

Leia:
Magnet/Terra (para também poder brincar de ‘aponte as diferenças’): Conheça 10 ‘verdades inconvenientes’ da troca de arquivos
Ars Technica (com uma análise interessante do texto original): IFPI: Ten “inconvenient truths” about file-swapping
O texto origininal da IFPI (para você… sei lá, jogar uns tomates, talvez?) : Music piracy – ten inconvenient truths

One Response to “mp3, gravadoras e nuestra “imprensa””

  1. Lu Farias Says:

    Well… eu já não compro CD há séculos, mesmo. E meus amigos só lançam mp3. Mas nenhum ainda foi no mac donalds, ainda bem porque aquele ronald me dá medo.

    Beijão!!!


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