Barbara e a gata

28 Outubro, 2007

Ok, você já deve ter ouvido a história da Barbara Gancia – ops, digo, do Antony, falando sobre saunas bem dotadas no Brasil e campanhas para mulheres na presidência (alguém aí gritou “Hillary”?). Mas acho que ninguém viu a versão de chorar que ele e a banda fizeram de “I Will Survive”, da Gloria Gaynor:

 Antony & The Johnsosns – I Will Survive (São Paulo, Brasil, 25/10/2007)

E tem também as estripulias da gateenha Chan Marshall. Primeiro, a versão destruidora de “Metal Heart” (essa é pra Lu, que citou a música na abertura do lindo post sobre a Cat Power).

 Cat Power – Metal Heart (São Paulo, Brasil, 25/10/2007)

Já a versão barulhenta de “Lived In Bars” vai pra Dani, que escreveu sobre os dois shows e tem uma tag específica no blog dela pra declarar amor à Chan.

Cat Power  – Lived In Bars (São Paulo, Brasil, 25/10/2007)

Colonizados

26 Outubro, 2007

Os Mutantes (desfalcados do Arnaldo e da Zélia – ou seja, o Sérgio Dias só) soltaram na Billboard que estão trabalhando com o Tom Zé e que vão fazer um show no aniversário de São Paulo. Por que esse tipo de notícia sai primeiro na gringa?

E lá se vai a Feist…

25 Outubro, 2007

A Feist não vem mais pro Brasil (labirintite, diz Thiago Ney). Parece que a Chan vai substituir ela nuns shows – será que agora vai dar pra ver Cat Power duas vezes em São Paulo?

(PS: Rodrigo, parece que o bateirista da banda da Chan é mesmo o Jim White.)

[Atualização]:

Cat Power vai substituir a Leslie em São Paulo sim. Arrais, que tinha comprado ingresso pra Feist, tá mais feliz que pinto no lixo. Mas parece que tem gente querendo devolver o ingresso mesmo – alguém aí quer vender pra mim?

spice up your life?

24 Outubro, 2007

Enquanto toda a produção fonográfica pop dos anos 00 se preocupa em copiar as fórmulas incríveis de Timbaland e de Jay Z (que, aliás, tá com disco novo saindo do forno em 6 de novembro –na gringa, claro), fórmula de rádio, fórmula de pop rebolativo, fórmula 89FM e Mix, as Spice Girls inexplicavelmente seguem na contramão.

Headlines (Friendship Never Ends), o novo single das gateenhas londrinas, aposta numa fórmula romântica bem mela-cueca, absolutamente sem graça e sem ‘pimenta’, com cara de dor-de-cotovelo anos 90. É mais ou menos 2 Become 1 (dadas das cabidas proporções) só que numa versão com menos graves e sem refrão.

Quem tá de volta com canção nova também é o The Verve. Você pode baixar aqui ou escutar 70% da música aqui. É uma jam session bem boa, de pouco mais de 14 minutos.

Aqui no Brasil, a novidade fica por conta do site novo da Tropicália, que até o momento deste post ainda não tinha entrado no ar. Bora conferir até o fim da tarde.

23 Outubro, 2007

a mudernidade é uma benção, cabeção!

 alguém quer me dar de presente de natal?

prefiro a Holga, só pra constar.

se enamora

18 Outubro, 2007

bom, como eu tô enfrentando uma micareta da TPM e tô com o peito frágil de dar dó, Balão Mágico pra enfrentar a fúria hormonal. ié.

“mas uma canção é tão pouco/nem cabe tudo o que eu quero falar”.

 (atentem para o Fofão CAUSANDO no meio da molecada)

bem, tudo começou em 1996, quando o Autechre pediu pro Cunningham fazer o vídeo de Second Bad Vilbel. o clipe não tem nada demais, meia dúzia de imagens de turbinas de avião, explosões e de um amplificador em looping e, quando a batida muda, uma aranha-cão-sei-lá-o-que-robô que faz uns movimentos suspeitos. até então, o diretor inglês tinha dirigido uns vídeos para o The Auteurs e para uma banda de rapcore (?) chamada Lodestar.

o terror parece começar em 1997, quando Richard D. James, muito mais conhecido no mundo como Aphex Twin, chama Cunningham para dirigir o vídeo de Come to DaddyEP pelo qual é responsável também pela capa. tirem as crianças da sala, porque vai começar um “videoclipe de terror”. terror psicológico e visual, diga-se de passagem. uma dezena de crianças com a cara sorridente, rosada e peluda de Richard saem quebrando tudo com pedaços de pau, em sincronia perfeita às batidas de Aphex, enquanto James, distorcido, as convoca pelo televisor (que não está ligado na tomada). “venha para o papai, venha para o papai”, ele clama. elas vão, como se estivessem hipnotizadas. instantes depois, a coisa da TV resolve tomar forma e sai da caixa de madeira. aí vem o momento Marylin Manson de James: nu, andrógino, gosmento, branco, com mais de dois metros de altura, dedos gigantes dotados de unhas longas e escuras, dentes podres numa boca gigante e, sim, assustador desse jeito, ele agrega as crianças à sua volta.

ele [Cunningham] parece ter gostado da brincadeira. em 1998 fez o vídeo de Come on my Selector para Squarepusher. a idéia é simples: o cenário é um hospital psiquiátrico para crianças e uma delas resolve escapar do esquema. as luzes baixas, a idéia de um manicômio infantil, o “médico-boneco” criado pela menininha - que tem cara de cachorro -, a inspeção noturna, tudo leva a um terror psicológico refinado no qual Chris pode provar que é um mestre do videoclipe de terror: ele não usa nenhum recurso tecnológico, ninguém faz caretas, não há monstros nem nada. é só a situação, a luz, o ambiente estéril e com cara de filme de terror que te causam ondas esquisitas na barriga.

a dupla cunningham/james volta à ativa em 1999, quando eles põem no mundo o vídeo de Windowlicker. a mesma idéia de antes: botar a cara de Aphex em todas as minas gostosonas. até que para um vídeo cunningham/james esse é beeem light e tá mais próximo a um “director’s joy” do que mais uma tentativa de thriller de terror. Twin sai de sua imeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeensa limousine com as dançarinas e aquele belo dia de sol que fazia até o sexto minuto ganha tons de cinza em seu céu. a mesma transmutação acontece com as moçoilas: o rosto delas ganha traços montruosos, os dentes crescem e a ponto de parecem os de um predador, elas ficam com o topo da cabeça careca e deformada e é inesperadamente nessa hora que Twin estoura a champanhe, simbolizando o coito, e enxarca as “meninas”, que a essa altura já não tem os corpos tão bonitos.

Em 2000, eles produzem Flex, que apesar de contar com vários corpos nus e culminar em uma simulação de sexo anal, não é muito sexy. na verdade, é bem a cara deles matar todo mundo de susto com a combinação da trilha sonora de suspense de Twin com as luzes e movimentos bruscos/delicados de Chris.

mas o auge da dupla (ou da doença mental de Cunningham) acontece com Rubber Johnny, clipe/DVD de 2005 que traz o menino Johnny, de 16 anos, deformado, com uma cabeça gigantesca e completamente paranóico, já que ele mora no porão da casa dos pais e só tem um cãozinho para “brincar”. Rubber Johnny saiu na gringa acompanhado de um libreto de 50 páginas com toda a sorte de imagens photoshopadas nojentas feitas por Cunninham, todas remetendo a defeitos físicos severos.

o mais bizarro é que todos os outros vídeos de Cunningham, por mais que ele tente, não conseguem ser tão assustadores quanto so que ele faz com Richard D. James. bom, eu só falei tudo isso pra perguntar: alguém aí tem notícia de um novo trabalho dos dois juntos? obrigada!

Sintético

4 Outubro, 2007

Se bobear, isso é a maior contribuição do Billy Corgan para a humanidade.

Old Grey Whistle Test

3 Outubro, 2007

Assoviar foi um dos primeiros contatos do ser humano com o mundo das alturas melódicas. Mesmo que a voz, articulada em palavras, tenha dado forma ao canto, o assovio (ou assobio, você escolhe), ao imitar o som dos pássaros, fez os primeiros homo sapiens terem uma noção de que a melodia podia ser incorporada ao cotidiano, e provavelmente de origem às mais primitivas formas de música, especialmente na forma dos primeiros instrumentos de sopro.

A própria natureza do assovio remete à melodia fácil, “grudenta” – e assim, milhares e milhares de resenhistas já chamaram, em algum momento, um som mais acessível e pegajoso de “assoviável”. O que não significa que o assovio deva ser menosprezado. Pensa no que seria de um cara culto e virtuoso como o Andrew Bird sem o seu habilidoso e, muitas vezes, grave assovio – saca só “A Nervous Tick Motion Of The Head To The Left”, gravada e ao vivo.

As baladas são quase uma tradição do hard rock, quase um imperativo mercadológico: ao mesmo tempo em que as bandas faziam os guris baterem a cabeça com o som pesado, faziam as garotas suspirarem ao som de suaves juras de amor, ora ao som de violõezinhos, ora com guitarras estridentes e power ballads. Do Metallica ao Extreme, dos Scorpions ao Bon Jovi, existem três coletâneas chamadas Love Metal para comprovar o sucesso do “gênero”.

Claro que o Guns N’ Roses , com todo o público feminino angariado pelos shorts apertadinhos de Axl Rose, não ia deixar de derreter as gatinhas com um pouco de som açucarado. A mais certeira dose de sacarina provida pelo quinteto californiano veio na primeira música do lado B do segundo álbum da banda, G N’ R Lies: “Patience”.

Talvez um dos assovios mais marcantes da música pop, ao invés de um curto riff, o biquinho de Rose ia delineando uma melodia complexa, subindo e descendo, enquanto uma trama de violões (e nenhuma percussão) faz a cama. A letra fala de um cara que acabou de se apaixonar por uma garota que não pode estar perto dele – e por isso, pede paciência à garota.

BALELA. Na verdade a música é sobre uma broxada. Certo, começa com um “derramei uma lágrima porque estou com saudades” e “penso em você todo dia”, mas coisas como “sento na escada porque eu prefiro ficar sozinho” e “às vezes eu fico tão tenso”… Sei, Axl (tudo bem que os créditos da música vão pro guitarrista Izzy Stradlin). No final da canção, Axl abre o berreiro de vez, canta que “tem andado pelas ruas a noite” e que “precisa de você”. O clipe da música alterna imagens de uma suposta “gravação da música” (com o Axl balançando de ladinho no final) e cenas bizarras como o Slash deitado numa cama segurando uma cobra na mão enquanto uma mulher tira a roupa do lado dele – e não rola mais nada. Mas fica tranqüilo Axl, isso acontece com todo mundo, né?

O Teenage Fanclub faz parte da geração escocesa que varreu o mundo indie (tá, varreu é um exagero, deu uma espanadinha) a partir da coletânea em cassete C86, lançada pelo semanário londrino New Musical Express. Começando com um tanto de barulho, o TFC foi moldando o seu som para uma direção mais melódica, e chegou ao auge do pop perfeito (influenciado tanto por Big Star quanto pelos Byrds) no álbum Grand Prix.

Obra-prima das melodias assoviáveis, o disco é praticamente feito apenas de canções de amor – como se pudesse existir algum outro motivo para se fazer um álbum tão doce. Entre as canções, está a balada “Mellow Doubt”, entre a ingenuidade e o desespero. Base de violão simples e um riff melódico, a música se constrói com as harmonias vocais, bateria leve, e a voz suave e dolorida de Norman Blake. A letra fala de um amor perdido, que vira quase uma paixão platônica: “Dói em mim/ Só de pensar em você/ Nas coisas que juntos/ Nunca iremos fazer”, enquanto o refrão explicita a sinuca de bico – “Estou com problemas/ E eu sei disso/ As coisas que eu sinto/ Eu não posso demonstrar/ Mas esses sentimentos/ Não vão embora”. Duas estrofes e dois refrões depois (com direito a um “Eu tento te abraçar/ Sozinho na minha cama”), o assovio. Aqui ele vem como um solo (mesmo que substituindo uma estrofe), com estrutura e tudo: violão de base, enquanto o assovio dialoga com uma voz anasalada apenas resmungando a linha melódica, como se o TFC declarasse suas intenções – o assovio é melhor que a guitarra, a melodia é melhor que o peso. Um assovio diz tudo sobre o TFC e seus sentimentos que não vão embora.

O nosso terceiro assovio ressoou 2006 afora e entrou 2007 adentro – numa canção para dançar feita por suecos (não, nada de Abba dessa vez). Baixo, bateria e percussão, meio lo-fi, e um assovio com um pouquinho de eco dão o tom da pista. A letra começa com um xaveco e evolui para aquele momento em que o casal recém-quase-formado reconhece um no outro as intenções, ainda que prefira deixar a tensão sexual de lado e focar no blá blá blá: “tudo com o que eu me importo é em conversar/ conversando aqui, eu e você”. No refrão entra uma percussão quase-africana – pelo menos o mais africano que um grupo de suecos pode chegar.

Embalada diretamente pelo assovio, “Young Folks” foi longe, ultrapassando o mundo indie onde ela nasceu. Foi parar numa mixtape de rap, com o sempre descolado Kanye West mandando um freestyle em cima da base. Virou trilha sonora de uma dezena de comerciais (pelo menos) ao redor do mundo, da At&T à Budweiser, da série “The Big Bang Theory” ao Napster. Tocou em seriados como Grey´s Anatomy, Gossip Girl e Dirty Sexy Mone, entre outros. Foi trilha do desfile da Banana Republic e do videogame Fifa 08 – até mesmo a cantora alemã Nena (de “99 Luftballons”) fez uma versão da música, chamada “Ich Kann Nix Dafür” (“Não é minha culpa”). Um grande feito para um mero assovio, não?

Não, não: os assovios são a matéria prima da música pop. Pense nisso quando você se pegar assoviando pela rua aquela música que não sai da cabeça – ou do iPod.

Over The Rainbow

1 Outubro, 2007